O QUE É TRANSTORNO HISTÉRICO?

Esta é a forma mais tradicional, conhecida e falada de neurose. Esta fama se deve a dois grandes investigadores da mente humana, que foram Charcot e Freud. A histeria também foi a principal doença investigada por Freud, que deu origem à psicanálise. A histeria pode ser dividida em duas manifestações fundamentais: a conversiva e a dissociativa. Freud explica a histeria conversiva da seguinte maneira: nela haveria um conflito inconsciente, uma ansiedade que não consegue emergir para o consciente por mecanismos repressivos da própria mente (superego), mas que contém uma energia que precisa se manifestar e acaba eclodindo como um sintoma físico que mantém uma relação simbólica com o conflito. Está achando complicado? Então eu vou trocar em miúdos. Imagine que você tem ódio de seu irmão ou de seu pai. Às vezes até com razão; mas imagine também que você recebeu uma educação super rígida, na qual se ensinou que é muito negativo ter ódio. Você sente culpa por estes sentimentos e acha que não pode mostrá-los, ao mesmo tempo em que seu ódio por seu pai vai aumentado, e você sente, embora não tenha consciência, que deseja dar um soco nele. De repente, aparece o sintoma histérico conversivo, uma paralisia do braço que o impede mexê-lo e, portanto, de concretizar o seu desejo proibido inconsciente. Acho que agora deu pra entender o que é a histeria conversiva. E ela pode se manifestar em qualquer parte do corpo: cegueira histérica, surdez, mudez, paralisias, parestesias, anestesias, dores de cabeça e qualquer outro sintoma que não encontre razões orgânicas e nos laboratórios que o justifiquem).

Uma outra maneira de entender o sintoma histérico é saber que as pessoas ansiosas sentem com muita intensidade os estímulos que acontecem ao seu redor. Esta intensidade faz com que elas não consigam decifrar ou elaborar o que está ocorrendo, o que faz com que a sua ansiedade aumente a níveis muito altos, tensionando ou perturbando funcionalmente a operação de órgãos que, de alguma maneira, estejam relacionados com o sistema nervoso central, e só quando a tensão ou ansiedade cede é que o sintoma desapareceria. Na histeria dissociativa, o estímulo é sentido de forma tão intensa que quebra a funcionalidade da própria mente, descoordenando-a e levando a pessoa a atos dissociados da realidade que a cercam por mais ou menos tempo. Vamos ao exemplo, que é bem mais divertido: a mocinha que sobe na cadeira e grita desesperada por que viu uma barata. Eis ai uma típica reação histérica dissociativa.

A barata é sentida como um estímulo intensíssimo, assustador, além de extremamente nojento e asqueroso. Imediatamente surge a dissociação. Um monte de atitudes desconexas, que não resolvem a situação e que mesmo assim a pessoa não consegue impedir. Às vezes, estas dissociações são tão fortes que a pessoa entra em estados transitórios de loucura, as vezes desmaiam, e por aí vai.

A grande “vantagem” da histeria é que a pessoa assume o papel da vítima indefesa perante a situação e precisa do dó e da complacência dos outros, que a ajudarão a superar as dificuldades. O grande mal da histeria é que a pessoa vai incorporando este sentimento de fragilidade interior que faz com que a pessoa vá se sentindo cada vez mais fraca até despencar em estado de depressão. O tratamento da histeria é o da psicoterapia: nesses casos, embora as medicações possam ajudar, de forma alguma são essenciais no tratamento. A pessoa terá de entender seus sentimentos, suas simbologias correspondentes e aprender a lidar com eles de forma coordenada. A incidência de relatos de histeria na psiquiatria moderna caiu muito, sendo hoje casos mais passageiros e fugazes.