O QUE É TRANSTORNO ANSIOSO?

Este é sem dúvida o mais comum e característico transtorno emocional de nossos tempos. Como foi dito em outro texto, ansiedade e medo são parentes próximos, originários de uma mesma raiz do funcionamento mental. A característica externa, visível e fundamental do transtorno ansioso é a pressa, é a vontade que a pessoa tem de que as coisas acabem rápido, que elas se concluam. Isto acontece porque o sentimento interior inconsciente é de medo, de pressentimento de que algo de ruim possa acontecer, que algo não vai dar certo e que por isto ele deve se apressar para que o fato no qual ele está envolvido se conclua rapidamente para que ele possa se ver livre, aliviado da sensação de perigo.

Assim, os sintomas principais do transtorno ansioso são: a inquietação motora, sensações de angústia (aperto no peito ou na garganta), sudorese, taquicardia, mal estar generalizado. A pessoa não consegue ficar parada, às vezes rói unhas, puxa o cabelo, precisa ficar mexendo em algo, permanece balançando pernas e braços. Também podem ser pessoas muito falantes (compulsão para falar) e muita dificuldade de ouvir, absorver e entender.

Algumas variantes dos sintomas do transtorno ansioso são: os vícios, os maus hábitos, que também são ligados aos transtornos compulsivos, como o vício de fumar (Descobertas recentes dizem que a nicotina, além de seus malefícios, tem a capacidade química de uma ação ansiolítica e até antidepressiva.), o vício de comer (Esta já não é uma descoberta tão recente, a de que o açúcar é um poderoso calmante.), o vício do álcool (outra substância que, além de causar danos à saúde, tem importante efeito ansiolítico e antidepressivo momentâneo). Os ansiosos, de forma não voluntária, buscam o alívio para a sua ansiedade através do uso compulsivo destas e de outras drogas também (Maconha, cocaína, crack, ópio e morfina também são usadas por pessoas muito ansiosas).
O sentimento crônico da ansiedade é muito ruim, e na maioria das vezes a pessoa não identifica que se trata de uma ansiedade, de um medo, e não consegue dar uma razão lógica, formal, para o que está acontecendo. Expressões como “Medo do que?”, “Mas como isto está acontecendo se está tudo bem?”, ou “Isto não faz sentido.” são muito comuns, e tudo que a pessoa quer é achar um jeito rápido (até por que é típico do ansioso) para se livrar desta sensação. Daí o uso de drogas ou outros métodos ineficazes que até trazem um alívio imediato, mas que vão cada vez mais aumentando a ansiedade da pessoa.
O quadro agudo da ansiedade é marcado muito mais pela intensidade das sensações físicas do que pela percepção de qualquer conflito psicológico. Os sintomas são os mesmos do que os relatados acima acrescentados de tontura, sensação de desmaio, de morte, ou de que se vai enlouquecer ou perder o controle de tudo. Quando estas sensações começam a se repetir com frequência o nome do quadro passa a se chamar Síndrome do Pânico, a tão famosa, que na verdade é a repetição de crises de ansiedade aguda.

A questão que você deve achar que falta na nossa conversa é: por que é que, afinal de contas, isto acontece? Qual a origem do transtorno ansioso? E eu vou dizer que existem milhares de explicações, algumas eu já falei em outras partes de nosso site. A que mais me agrada é aquela que relaciona a ansiedade com a aceleração desarmônica de nossa mente. “Mente acelerada é mente desequilibrada“ já disse eu mesmo em outras partes. A vida moderna, urbana, estimula em demasia a nossa mente, e está sempre exigindo elaboração e raciocínios rápidos, o que desencadeia quadros de ansiedade. A vontade do indivíduo de achar soluções rápidas também é outro fator desencadeante, assim como o desejo de buscar e atingir objetivos que supostamente trariam tranquilidade. E quanto mais rápida e desarmônica a mente estiver, maior a sensação de medo e ansiedade. Quanto mais equilibrada, harmônica e coordenada a nossa mente estiver, maior a sensação de calma e paz de espírito.

Teoricamente acabei de oferecer uma solução para acabar com a ansiedade: não querer nada, não perseguir nada, pelo menos em nível mental, e aceitar as coisas como são sem se deixar dominar pela ânsia de querer modificá-las. Podemos querer modificar as coisas, mas não podemos deixar a nossa mente se acelerar por causa disto.