O QUE É ANSIEDADE E PORQUE FICAMOS ANSIOSOS?

A ansiedade é uma sensação ou sentimento decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central consequente à interpretação de uma situação de perigo. Parente próxima do medo (muitas vezes a diferenciação não é possível), é distinguida dele pelo fato de o medo ter um fator desencadeante real e palpável, enquanto na ansiedade o fator de estímulo teria características mais subjetivas.

A ansiedade é o grande sintoma de características psicológicas que mostra a intersecção entre o físico e psíquico, uma vez que tem claros sintomas físicos, como: taquicardia (batedeira), sudorese, tremores, tensão muscular aumento das secreções (urinárias e fecais), aumento da motilidade intestinal, cefaleia (dor de cabeça). Quando recorrente e intensa também é chamada de Síndrome do Pânico (crise ansiosa aguda). Toda esta excitação acontece decorrente de uma descarga de um neurotransmissor chamado Noradrenalina, que é produzido nas suprarrenais, lócus cerúleos e núcleo amigdaloide.

Como compreender a ansiedade?

O nosso sistema nervoso central e a nossa mente necessitam de uma situação de conforto e de segurança para usufruir da sensação de repouso e de bem estar. 
Quando a nossa percepção nos alerta para uma situação de perigo a este estado, acontece o estado ansioso. Evolutivamente, faz muito pouco tempo que saímos dos tempos da caverna, onde os perigos de vida e a necessidade de luta eram constantes.

A excitação do sistema nervoso central vinha como uma forma de estimular o nosso corpo para a luta ou para a fuga.
O que interpretamos como perigo hoje transcende, e muito, o perigo de vida biológico. Perda de status, de conforto, de poder econômico, de afetos, amizades, de privilégios, vantagens, de possibilidade de concretizar interesses, de vaidade, são fatores mais do que suficientes em muitos casos para disparar o estado ansioso. Em estados de desequilíbrio emocional o simples contato com o novo, com situações inesperadas e desconhecidas são o suficiente para disparar estados ansiosos.


A principal característica psíquica do estado ansioso é uma excitação, uma aceleração do pensamento, como se estivéssemos elaborando, planejando uma maneira de nos livrar do perigo e da maneira mais rápida possível.

Este movimento mental, na maioria das vezes, acaba causando uma certa confusão, uma ineficiência da ação, um aumento da sensação de perigo e de incapacidade de se livrar dele, o que configura um círculo vicioso, pois esta sensação só faz aumentar ainda mais o estado ansioso. “Mente acelerada é mente desequilibrada”. 
Este movimento impulsivo de a mente se acelerar, de precisar ter tudo sob controle, para poder usufruir da sensação de repouso e conforto faz com que ela se excite, e se o problema não tiver uma solução mental imediata, como o que acontece na maioria dos casos, teremos a chamada ansiedade patológica, que tende a se cronificar e piorar com os anos.

Quais são as origens da ansiedade?

A primeira é que a ansiedade poderia ter uma origem genética, ou seja, a pessoa herda de seus ancestrais uma pré-disposição para ter estes sintomas. Nestes casos, as manifestações podem ser bastante precoces, sendo a pessoa desde cedo uma criança agitada, às vezes hiperativa, que chora com facilidade e às vezes até com dificuldade de dormir. A ansiedade precoce também pode se manifestar através da avidez de mamar e numa postura mais teimosa e possessiva ainda como criança. A segunda é uma infância carente e problemática, na qual as dificuldades dos pais, mas principalmente da mãe, de passar afeto e suprir as carências afetivas da criança fazem com que ela se sinta insegura e exposta e agrave e condicione um sentimento de que coisas ruins e sensações negativas podem acontecer a qualquer momento.
 A terceira é a dificuldade de incorporar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas. O velho ou conhecido sempre traz a sensação de segurança e controle.
 O novo, por sua vez, tem a capacidade de potencializar a sensação de medo no sentido de que algo ruim ou perigoso pode vir a acontecer. É mais ou menos assim: “Tudo que vem de mim é seguro e tudo que vem de fora e não está sob controle é perigoso”. É a clássica postura do pessimista, como aquele personagem dos desenhos antigos de TV, a hiena Hardy, amiga do leão Lippy, que sempre dizia “Oh céus, oh vida, oh azar, não vai dar certo!”

Traumas de infância, grandes sustos, perdas afetivas ou mesmo materiais também podem desencadear quadros ansiosos importantes, mas não chegariam a ser causas específicas. A tentativa de se livrar deste mundo de sensações e sentimentos, que tenha características desequilibradas, desajustadas, são causadoras dos seguintes transtornos:

  • Transtorno Obsessivo Compulsivo
  • Transtorno Ansioso
  • Transtorno Hipocondríaco
  • Transtorno Histérico
  • Transtorno Fóbico

Como diminuir a ansiedade?

Primeiro é preciso entender que a ansiedade é um fato normal quando não é exagerada.

A ansiedade corresponde à excitação do neurônio e a sua necessidade de descarregá-la. Ela, normalmente, é desencadeada quando a pessoa entra em contato com situações novas e desconhecidas ou quando a situação contém alto valor afetivo.

Para poder combatê-la, o primeiro passo é identificá-la. O corpo fica tenso, existe uma necessidade de se movimentar fisicamente (mexer pés ou mãos e inquietação em geral), a respiração está mais acelerada e o pensamento fica agitado (muitas ideias passam pela cabeça de forma acelerada). Algumas vezes a cabeça fica confusa e não se sabe direito o que se quer.

Uma vez identificado este estado deve-se focar na respiração. A frequência respiratória precisa ser diminuída. Deve se inspirar lentamente e encher o pulmão em mais ou menos 75%. Em seguida deve-se expirar e tirar todo o ar do pulmão, com a ajuda do diafragma, também de forma lenta.

A respiração tem a capacidade de controlar o corpo e a mente. Este tipo de exercício deve ser feito por pelo menos 10 minutos e deve-se tentar manter a cabeça vazia.

Os pensamentos precisam sair da mente junto com o ar expirado

Os Yogues já sabem destas coisas há mais de 3000 anos. A ansiedade é desencadeada por preocupações. Uma incerteza que desperta o nosso pessimismo, e a sensação de algo muito ruim vai acontecer.

E que é preciso fazer algo para evitar o pior.

Atingir as nossas metas e objetivos.

Esta é a hora de parar, quanto maior a nossa pressa para atingir o objetivo, maior a ansiedade. Não se pode ter pressa para atingir objetivo. É como dizem os ditados populares: “o apressado come cru”, “devagar se vai ao longe”

É lógico que não devemos abrir mão de nossos objetivos, mas é preciso que eles sejam atingidos quando possível e necessário no plano do real, e não na cabeça. O que nos protege é a nossa ação, e não as nossas ideias; portanto, as ideias servem para nos orientar, e não para nos acelerar.

Esvazie a cabeça quando estiver ansioso e confie que, de forma lenta, você chegará num ponto de proteção, abra mão mentalmente de sua meta e objetivo por um tempo. Só até recuperar o equilíbrio.

“Mente acelerada é mente desequilibrada” (Isaac Efraim).

Se depois de cuidar da respiração e de esvaziar a cabeça você não melhorar, vá para os remédios, talvez eles te ajudem mais.

Como tratar a ansiedade?

Existem três tipos de remédios que podem ajudar a controlar e diminuir a ansiedade. Vou tentar falar de cada um deles de forma simples e acessível. Todos eles só podem ser vendidos sob prescrição médica, exigem receita azul, têm tarja preta, e podem até causar dependência. Por isso todo o cuidado é pouco.

O primeiro tipo são os chamados ansiolíticos (dissolução da ansiedade) ou tranquilizantes. São substâncias que anestesiam parcialmente a sensibilidade neuronal, diminuindo a capacidade de excitação emocional. Em altas doses, são usados como pré-anestésicos. Também podem ser usados para induzir o sono. Servem para combater o sintoma ansiedade, mas não mexem na sua origem. Funcionam como a Novalgina para combater a febre: diminuem o sintoma, mas não resolvem o problema. São muito úteis quando a ansiedade está muito alta ou descontrolada, ou quando provocam insônia. Têm a desvantagem de que podem causar pequena dependência física, importante dependência emocional, e o uso prolongado pode causar tolerância. Os principais efeitos colaterais são: sonolência, cansaço e fraqueza. Se você acha que este tipo de remédio pode te ajudar, você deve procurar um psiquiatra. Ele é o profissional correto para lhe prescrever este tipo de medicação. Clínicos gerais também podem prescrever em casos de emergência. O melhor exemplo deste tipo de medicação é o Diazepan (nome genérico).

O segundo tipo de medicação para combater a ansiedade são alguns tipos de antidepressivos. Este tipo de medicação tem dois efeitos sobre a mente humana: por uma ação sobre os neurotransmissores cerebrais, ele aumenta o nível de energia psíquica, faz a pessoa se sentir mais forte, diminui a quantidade de preocupações e de medo, aumenta a percepção e a clareza que a pessoa tem, fazendo-a sentir-se mais segura e, portanto, menos ansiosa. Esse efeito das medicações antidepressivas é fascinante e, se for acompanhado de uma boa psicoterapia, não só permite que a pessoa diminua significativamente sua ansiedade, como também se torne uma pessoa mais produtiva e bem resolvida. O segundo efeito é uma ação mais direta sobre a ansiedade propriamente dita. Não causam dependência física e pouca tolerância. Podem causar alguma dependência emocional. Só podem ser vendidos sob prescrição médica, e é preciso ter o chamado receituário especial. Infelizmente, não têm efeito imediato, e demoram de de duas a três semanas para fazer efeito. Devem ser tomadas por um período mínimo de 4 meses. Têm alguns efeitos colaterais, principalmente nos 10 primeiros dias. O efeito colateral mais chato é uma pequena diminuição da libido e o retardo da ejaculação. Bons exemplos deste tipo de medicação são: Cloridrato de Sertralina, de Fluoxetina e a desipramina (nomes genéricos).

O terceiro tipo de medicação são os chamados tranquilizantes maiores ou anti psicóticos, que devem ser prescritos em casos mais graves, onde a ansiedade atinge picos altíssimos e estão associados a doenças mentais mais graves, com alteração do pensamento e até da sensopercepção, ou por estados desencadeados por drogas alucinógenas.

Como se livrar da ansiedade?

Sete passos para se livrar da ansiedade:

1- Respire fundo, lenta e compassadamente pelo maior tempo que você for capaz, pois isto ajuda a desacelerar fisiologicamente o cérebro e, por consequência, a mente.

2- Entenda que quando um problema novo se configura a sua frente, a solução não está na sua mente, não está no seu pensamento, e sim no fato em si. Quando for possível, olhe para o novo, procure entendê-lo, aumente as suas informações e o seu conhecimento sobre ele. Não busque referências anteriores, pois isto aumentará a sua ansiedade. Se não for possível olhar para o problema procure não pensar nele, tente distrair a sua mente com outra coisa, brigue com ela para não pensar na entrevista e em suas consequências.

3- Aceite a falta de controle, abra mão da prepotência da sua mente, e entenda que não somos deuses superpoderosos que tudo podemos controlar. Uma parte de nossa vida tem que entregar a Deus, ao destino, à sorte e… Seja o que Deus quiser…

4- Problemas e novidades se resolvem com ação e não com pensamento, é preciso fazer o melhor que está a nosso alcance, focado, ligado no real. O que está além do nosso melhor esforço não podemos controlar.

5- Aceitar a possibilidade de perder, não querer ganhar a qualquer custo, pois isto acelera a mente e aumenta e muito a chance de derrota.

6- Aceite conviver com a insegurança quando ela surgir a sua frente. Não queira se livrar dela. Não tenha pressa. Quanto mais você aceitar conviver com a insegurança, mais calmamente ela irá embora e mais a sua mente e acalmará. Quanto mais você tentar se livrar dela, mais ela se tornará ansiedade.

7- Não se deixar enganar pela mente. Quando ela ficar buzinando internamente que o pior vai acontecer, usar as palavras mágicas: ” Seja o que Deus quiser…”.

Resumindo: mente acelerada é mente desequilibrada. Para livrar-nos da ansiedade, devemos aprender a escapar do domínio e desacelerar a nossa mente.