QUAL A RELAÇÃO ENTRE ANSIEDADE E SEXO?

Muitos não sabem, mas sexo é um dos maiores escapes de ansiedade. 
No sexo acontece uma grande liberação de energia, que descarrega a ansiedade, por isso é tão fundamental para o homem. 
A ansiedade sempre afeta a sexualidade humana. Interessante como em casos de muita ansiedade a postura sexual é alterada: alguns ficam mais agressivos, outros totalmente tensos; as mulheres ficam frígidas, os homens têm ejaculação precoce ou vontade de “arrebentar aquela vagabunda na cama”. 
A maior parte das fantasias sexuais tem a ver com o tipo de ansiedade que a pessoa tem: alguns têm ansiedade e vontade de bater, outros de apanhar e por aí vai. 
Nesta seção veremos como a ansiedade afeta a vida sexual de homens e mulheres. Boa sorte.

Muita gente não entende por que existem pessoas que têm compulsões de ordem sexual.
 Os homens são classificados como tarados, galinhas, vigaristas, inadequados e incapazes de amar.
 As mulheres são chamadas de prostitutas, vagabundas, promíscuas, não confiáveis, e outros que tais. 
A proposta aqui não é defender nem atacar nenhum tipo de comportamento, muito menos de ordem sexual, mas sim de permitir que possamos entender o nosso comportamento e o das pessoas que estão a nossa volta. 
Como já foi dito em páginas anteriores, a ansiedade gera um estado de tensão, de retenção muscular que, para algumas pessoas, tem um registro semelhante à excitação sexual. Para estas pessoas a tensão está à flor da pele, e qualquer toque físico ou a qualquer estimulação sexual, mesmo que seja da imaginação, desencadeia aquilo que chamamos de tesão, uma reatividade dos órgãos sexuais; o homem fica com o pênis ereto e intumescido, a mulher tem secreções vaginais, a pele e bico do seios arrepiados, e uma necessidade compulsiva de se liberar desta tensão através do orgasmo. É o chamado prazer do alívio. 
Ele costuma ser um tesão intenso, mas produz um orgasmo de má qualidade.
 Como a pessoa é cronicamente ansiosa, a tensão volta rapidamente, assim como também volta a necessidade de estimulação sexual. 
Nesse estado, as necessidades fisiológicas falam muito mais alto do que qualquer questão afetiva, tornando-se meio indiferente o parceiro ou parceira.
 Para este tipo de pessoa, quanto maior o seu estado de ansiedade, maior a sua necessidade sexual, maior a necessidade de descarga de adrenalina (ter o ato sexual em situações ou com pessoas potencialmente perigosas), se masturbar compulsivamente, como formas de aliviar o seu alto grau de ansiedade.
 Uma vez que a pessoa trate sua ansiedade, a sua vida sexual encontrará um equilíbrio e uma qualidade antes jamais conhecidos.

Ejaculação precoce

Em primeiro lugar é preciso definir este problema que tanto atormenta a vida dos homens de suas parceiras. 
A ejaculação precoce é quando o homem ejacula logo depois da penetração sem conseguir o prazer sexual propriamente dito. O homem não tem controle sobre a excitação sexual, que está muito alta em função de superestimulação física e psicológica a qual está submetido. Ele não controla o seu desejo, e de repente, toda aquela excitação se esvazia como um balão que vaza deixando o mastro a meio pau e o homem absolutamente envergonhado. Ainda existem os casos intermediários, em que acontece uma ejaculação rápida e o homem até consegue a penetração, mas não consegue controlá-la e não consegue esperar que a sua parceira consiga obter o prazer. Por que esta desgraça acontece? O homem se sente impotente, começa a se desculpar, repetindo que não entende. A mulher se sente culpada e questiona o fato de não conseguir dar prazer ao homem, além de ela não conseguir ela atingir o orgasmo (a não ser que seja a mulher a jato, ou tenha algum equivalente de ejaculação rápida).

A responsabilidade deve ser igualmente dividida. Primeiro, a sensibilidade fisiológica do homem. Existem homens que são neurologicamente supersensíveis e superreativos: qualquer estimulação física leva a uma hiper reatividade. É como se o pênis fosse um copo meio cheio contendo uma substância reagente. Quando começa a estimulação sexual, esta “substância reagente” reage e faz o conteúdo do copo vazar. Este vazamento seria a ejaculação precoce. Para estes tipos de casos é necessário um tratamento de dessensibilização, que pode ser químico ou de condicionamento. A dessensibilização química se faz através de medicações que diminuam a ansiedade.

O uso de ansiolíticos e de antidepressivos costumam ser muito úteis nestes casos. Existem inclusive antidepressivos que podem ser prescritos especificamente para problemas de ejaculação precoce. A dessensibilização através de condicionamento é uma espécie de treino que o casal deve fazer para diminuir a hiper reatividade. A parceira estimula o pênis até o homem dizer que sente que a ejaculação está chegando, ai ela para de estimular, espera as coisas acalmarem e depois inicia novamente. O sexo oral e a manipulação do pênis são essenciais neste método que exige paciência e a colaboração da parceira. Segundo, a ansiedade do homem de impressionar sexualmente a mulher. Todos sabemos que vivemos em uma cultura machista, onde o homem tem a obrigação moral de ter um bom desempenho sexual, que ele deve manter o pênis ereto e satisfazer a mulher total e completamente.

Quanto maior a ansiedade do homem de impressionar a mulher e quanto mais ele valorizar emocionalmente o ato sexual e da conquista, maior a possibilidade de ter ejaculação precoce. Ou seja, quanto mais quiser dar uma de gostosão, maior a sua chance de fracassar. Esta é uma ocorrência muito comum entre os machões e homens que gostam de contar proezas sexuais. É fácil de entender: quanto mais ele se gaba, maior a sua responsabilidade ao ter um novo encontro sexual; afinal, é sua fama e prestígio que estão em jogo, e com isto a sua ansiedade sobe e você já sabe: quanto mais a ansiedade sobe, mais rápido o pênis desce. Neste tipo de caso, o homem precisará mudar a sua postura de vida e se tornar uma pessoa mais humilde e menos gabola.

O relacionamento entre homem e mulher precisará ser visto como uma consequência natural dos afetos e não como uma conquista. A psicoterapia costuma ser um tratamento de grande valia nestes casos. E finalmente, o terceiro caso, que é quando a mulher gosta de dar uma de gostosona, de “femme fatale” e com isto consegue assustar o homem. Homem assustado fica acuado, medroso, ansioso e ou fica impotente ou tem ejaculação precoce. Evidentemente, toda mulher gosta de impressionar o homem, mas se ela passar das medidas terá um homem pela metade. Agora grave mesmo é quando os três fatores se juntam em um único relacionamento. De uma forma geral a ejaculação precoce não é considerada um problema grave. Em adolescentes que se iniciam na vida sexual é considerada uma intercorrência normal O tratamento pode ser feito através de remédios, de terapia e em casos graves até de intervenções urológicas (o Viagra ajuda), e se fala até em cirurgias.

Frigidez

Para se entender o que é frigidez é preciso entender que o funcionamento sexual da mulher é totalmente diverso do do homem. 
Na grande maioria das vezes, o papel feminino é um papel receptor, diferente do homem, que tem um papel mais de ataque. A excitação sexual feminina acontece pelo fato de a mulher receber o carinho e, para poder receber, a mulher tem de estar relaxada, confiante e tranquila. Quanto maior o grau de relaxamento da mulher, maior a sua capacidade de ter prazer sexual, e não só o prazer de alívio que a maioria das mulheres tem. 
Quando a mulher está tensa, preocupada, acontece um movimento de retração involuntária de toda a musculatura, criando um clima interno de tensão, e dificultando o recebimento do carinho e da excitação sexual. Quando o grau de tensão é muito alto, a mulher não consegue a sensibilidade para se abrir ao carinho, e não consegue viver a excitação sexual. Esta couraça muscular funciona como uma camada de gelo que isola a mulher do mundo das sensações sexuais. O medo que acompanha a ansiedade aumenta ainda mais a tensão, não permitindo o movimento de entrega para se deixar levar pelas forças do prazer. 
A mulher ansiosa e insegura se trava, desconfia do parceiro e com isto vai perdendo a qualidade de seu prazer sexual até chegar à frigidez. Como resolver?
 Tratando a ansiedade!

Impotência sexual masculina

Embora cada vez mais os cirurgiões neguem, a principal causa da impotência sexual masculina ainda tem origem nas causas emocionais. Não quero aqui negar a importância de fatores orgânicos como causa de impotência. É líquido e certo que alterações vasculares, más formações, fugas venosas e outros possam causar quadros importantes de impotência. Mas não resta dúvida de que, na maioria dos casos em que este problema ocorre, os fatores de ordem emocional são preponderantes para causarem este problema emocional. O curioso é que, para entender a questão emocional, precisamos entender um pouco da fisiologia da ereção masculina. A parte responsável pela ereção masculina no pênis é o corpo cavernoso. O corpo cavernoso é uma espécie de esponja que aumenta ou diminui a sua consistência e portanto a ereção, em função da irrigação sanguínea que recebe. Quanto maior o aporte de sangue, mais a esponja se enche e maior a ereção, quanto menor o aporte de sangue, menos a esponja se enche e mais fraca ou até inexistente é a ereção. Então, para o homem não ter problemas de disfunção erétil, ele deve ter: um corpo cavernoso que possa se encher sem problemas, artérias que irriguem o corpo cavernoso com um bom diâmetro (sem calcificações ou placas gordurosas) e com boa capacidade de dilatação.

Na ansiedade, como já vimos em diversas outras partes do site, ocorre uma liberação importante de adrenalina, que causa como um dos efeitos a vasoconstricção generalizada das artérias. Com isso, as artérias do corpo cavernosos sofrem um estreitamento funcional, o que acaba levando ao esvaziamento da esponja e portanto a perda da ereção. Quando a ansiedade é um problema crônico e acontece frequentemente, a vasoconstricção também se repete, e assim o homem vai perdendo cronicamente a ereção. Dessa forma, fica claro que a ansiedade é o principal fator causador da perda da ereção nos homens.

Além da ansiedade, a depressão também pode levar a problemas de impotência, mas por mecanismos diferentes. Na depressão, o que acontece é a diminuição da libido, da vontade de ter o ato sexual. Como a pessoa perde a sua sensação de força, de energia, ela não sente vontade de ter a relação, e aí ela não perde a ereção: a ereção simplesmente não acontece, ou acontece de forma muito fraca.
 Quando a impotência ocorre por causa da ansiedade, remédios como o Viagra podem ajudar e muito, pois provocam uma vasodilatação localizada das artérias do corpo cavernoso, criando a possibilidade de o desejo se manifestar corporalmente, o que não acontece quando a causa é a depressão, uma vez que, nesses casos, não existe o desejo. A melhor forma de superar a impotência por causa da ansiedade é combater a ansiedade, e a ansiedade se combate se acalmando, tornando o ambiente do relacionamento do casal tranquilo. Por parte da mulher, ela não deve se sentir culpada pelo que está acontecendo, não ficar aflita, e não ter pressa de resolver o problema. O homem, por sua vez, tem que abrir mão do seu orgulho de machão, compreender que isto ocorre nas melhores famílias, e se não for capaz de superar a sua ansiedade sozinho, deve procurar um profissional que o ajude a entender e lidar com a sua ansiedade.