O trabalho de comportamento dentro das empresas

A conta é simples: a cada dia de 24 horas, dormimos, em média, oito horas, trabalhamos oito e temos apenas as outras oito para todas as atividades pessoais e relacionais de nossas vidas.

Nada mais natural, portanto, do que transportar a vida particular para a empresa e vice-versa, levando porta-retratos da família para o trabalho e assuntos de trabalho para a mesa de jantar, ou até para o travesseiro. O que acontece na prática é que, além desses objetos corriqueiros, como fotografias e canetas, levamos para o trabalho nossos comportamentos e objetivos pessoais, nosso jeito, muitas vezes conflitantes não só com as posturas de nossos colaboradores e superiores mas conflitantes também com as expectativas da empresa.

Vaidade pessoal, espírito burocrático, autoritarismo, centralização de decisões são apenas alguns dos muitos exemplos de traços de personalidade que um indivíduo pode apresentar. Não é difícil imaginar que traços desta ordem tragam dificuldades de relacionamento, gerem conflitos e desperdícios de energia que fazem despencar a produtividade da empresa.

É exatamente dentro deste panorama que se encaixa o trabalho de Consultoria Comportamental, um processo de conscientização e reorganização individual, em busca de uma sintonia de atuação coletiva e aumento global de produtividade. São reuniões que, em um primeiro momento, têm o objetivo de fazer com que todos “prestem atenção” a esses comportamentos.

Uma vez conscientes deles, o segundo passo é “conformar-se” com os mesmos, antes de partir, tecnicamente, para o trabalho de reorganização mental a nível consciente. É essa “reorganização mental” que permite as mudanças verdadeiras de comportamento dos indivíduos, não apenas adequando-se às necessidades empresariais, gerando produtividade, como também, às necessidades pessoais, gerando felicidade e satisfação.

Tão importante quanto o resultado é o processo de atuação do trabalho de Consultoria Comportamental, no qual não acontece exposição da vida e motivação íntima dos participantes envolvidos no processo, nem julgamentos de conduta ou busca de culpados. Os participantes têm a oportunidade de discutir conceitos sobre comportamento humano dentro da empresa, como espírito burocrático, vaidade pessoal, medo de correr riscos, como ter foco, etc., de onde esses comportamentos se originam, e, assim buscar uma compreensão profunda dos sentimentos que norteiam os seus comportamentos. Levamos em conta em todos os passos que todos os sentimentos são humanos e naturais, e que tudo é um grande jogo de energias.

A verdadeira compreensão do próprio comportamento e do de seus colegas de trabalho permite uma reorganização mental autentica que leva a uma transformação produtiva e efetiva. A Consultoria Comportamental analisa o estado energético da empresa e avalia a totalidade das energias potenciais de seus indivíduos.

A partir daí, trabalha-se para aumentar o rendimento de todos os participantes, diminuir o atrito que dissipam, e os “ralos” por onde escoam todas as energias. Todas as intenções que, um dia, foram as melhores possíveis.

P.A.Z. – PROGRAMA ANSIEDADE ZERO

Como lidar com a ansiedade no ambiente organizacional? O que podemos fazer para driblar ou minimizar situações geradas por ela no trabalho, que podem ocasionar improdutividade, desperdício de recursos, crise de qualidade, queda de motivação e má gestão do tempo, para citar apenas alguns problemas?

Para combater este mal nas corporações, o psiquiatra e consultor empresarial Isaac Efraim, desenvolveu um programa que chamou de PAZ – Programa Ansiedade Zero. Sua meta é gerar produtividade em vários níveis de relacionamento – individual, interpessoal, ambiental, entre outros. Ele se inspirou em uma política de segurança, implementada pelo governo federal americano nos anos 80, para impedir o transporte de drogas ilícitas em barcos. O sucesso da iniciativa foi tão grande que se expandiu contra o uso de álcool e drogas nas escolas americanas, até se tornar mundialmente conhecido em Nova York, quando o então prefeito Rudolph Giuliani lançou a política de Tolerância Zero, que reduziu a criminalidade a níveis mínimos, relembra o psiquiatra.

A ansiedade é a doença mental mais comum na América e supera até mesmo o número de pessoas que têm depressão. Segundo o Anxiety Disorders Association of America, esse distúrbio custa àquele país mais de US$ 22 bilhões anuais em tratamentos.

Um rápido levantamento de sua magnitude revela que um, em cada oito americanos entre 18 e 54 anos, sofre algum tipo de desordem de ansiedade. O total de pessoas com problemas do gênero nos Estados Unidos passa de 20 milhões e corresponde a 8% dos pacientes ambulatoriais. Mulheres sofrem de stress e ansiedade em uma proporção de dois para um em relação aos homens, e 60% dos portadores são do sexo feminino, na faixa entre 20 e 45 anos.

No Brasil, a ideia de redução dos problemas sociais é o principal projeto do atual governo, batizado de Fome Zero, com grande poder de comunicação. “Zerar é solucionar um problema”, compara Efraim. O PAZ iguala ansiedade à improdutividade e é constituído por oito sessões na forma de palestras/ dinâmica de grupo.

O primeiro passo é definir o que é ansiedade, delinear sua fisiologia e aspectos, diferenciando-a de conceitos como depressão e angústia. “A ansiedade é o resultado de um processo de aceleração de nossa mente, desencadeada pelo contato com o novo, o desconhecido, que quase sempre representa uma ameaça a nossa estabilidade”, argumenta o médico.

A ação seguinte é entender os “outros membros da família”, isto é, o medo, a insegurança, a fobia, a dúvida, antes de partir para a atitude relacional de como a ansiedade afeta comportamentos individuais.

Cumprida esta etapa, o programa verifica como as visões de mundo, do outro e do negócio ficam alteradas nos estados ansiosos. Neste mesmo cenário, observam-se os fatores desencadeantes, o pensamento, sentimentos e produtividade. Chega-se à fase de posicionar a ansiedade e como ela contamina o ambiente, analisando-se o sentimento de culpa e o papel das lideranças na administração da doença dentro do grupo.

Os dois últimos passos ensinam a lidar com as pressões do dia-a-dia, a insegurança e o risco, sem ser dominado pela doença, e aborda as políticas da empresa no sentido de diminuir o clima de ansiedade para implementação do PAZ.