COMO SER (OU NÃO SER!) PRODUTIVO
Artigo publicado na Revista Você S.A. on line em 19/05/2004
Que caminhos encontramos para ter produtividade em nossa trajetória profissional? A resposta, sem dúvida, é buscar o melhor rendimento possível dentro das circunstâncias que nos cercam. Mas para que a realidade entre de maneira tranqüila e harmoniosa em nossa consciência, precisamos entender algumas questões.
Antes de tudo, é necessário ter clareza do que está acontecendo ao nosso redor. Em contrapartida, se uma situação não se apresenta de maneira clara a nossos olhos, pode estar ocorrendo falta de informação em nosso sistema consciente, voluntário e racional.
Vamos elencar os principais fatores e os porquês de a informação não chegar ao nosso consciente, brecando o desempenho produtivo.
Criamos aqui cinco tipos de comportamento, freqüentes e fáceis de serem identificados nas nossas relações pessoais ou de trabalho.
O Burocrático ou o Desinteressado
O primeiro tipo é o sujeito desinteressado. É fácil entender o que acontece com ele. De modo geral, é encimesmado, preguiçoso ou acomodado, e comporta-se de maneira distante e sem motivação. Sem foco nos fatos que o envolvem, apóia-se em regras que, uma vez aplicadas, trazem soluções imediatas. Não está preocupado em inovar, ao contrário, busca referências no passado. Sua atuação é burocrática. Tudo acaba ficando chato, já que ele não se preocupa com um bom rendimento e não dirige suas energias para melhorar resultados ou superar dificuldades.
O Ansioso
O ansioso é aquele que se deixa dominar pelo sentimento de aflição. Ele quer se livrar o mais rapidamente possível do contato com o novo. Trilhar um caminho desconhecido representa uma ameaça a sua estabilidade. Do seu ponto de vista, a informação é superficial, distorcida e incompleta. Como opta pelo conhecido , tem ilusão de controlar tudo a seu redor. Mas quando surge uma situação de instabilidade ou insegurança - que ele classifica de “desagradável” – é acometido por um quadro típico de ansiedade: pensamentos negativos, a idéia fixa de perigo iminente, cenário mental agitado e inquietação, entre outros fatores de tensão psíquica.
O Intransigente
Uma situação diferente da desejada, cheia de imprevistos e obstáculos, leva uma pessoa intransigente a encontrar dificuldades em aceitar a existência de problemas. A consciência não absorve e rejeita uma configuração da realidade diferente da lógica subjetiva da pessoa. A mente, envolta em um verdadeiro redemoinho, entra em um processo de ruminação e passa por um confronto. Por não aceitar ser quem ela é, acaba agindo de acordo com o que deveria ser, o que leva a pessoa a cometer erros e atos fortemente improdutivos.
O Compulsivo
Mal a realidade se configura na consciência de alguém com comportamento compulsivo, surge um impulso intenso e irresistível de querer interferir e de corrigir conforme seu planejamento e desejos interiores. A vontade de interferir encobre a consciência, e o projeta para o próprio mundo de sonhos e fantasias. A compulsão o impossibilita de ter uma clareza maior do que configurou o problema, levando-o a tomar atitudes superficiais e improdutivas.
O Apressado
A pressa em se tirar conclusões, sem informações suficientes claras e linkadas entre si para entender o fato ou discriminar e entender a realidade subjacente, a pressa em ter uma fórmula, um método que permita que a pessoa tire o problema da frente, interpretando de forma equivocada as informações que chegam a sua consciência.
O Emocional
A emoção é um sentimento intenso e agudo que agita a nossa mente e cria a ilusão de que nosso eu ou ego está diretamente afetado pela situação vigente. A dor do outro e a responsabilidade alheia passam a ser entendidas como nossas. Este tipo é dominado pelo desejo de interferir, pois sente que será afetado de forma direta e irreparável.
Não querer ter emoção é querer não ser humano, pois ela é intrínseca à nossa natureza. O plano para se livrar do envolvimento emocional é detectar que fomos apanhados pela emoção, que afeta nossas interpretações e pensamentos. O passo seguinte é aceitar que não somos tão importantes, e entender o fato diante de nós como uma intercorrência da realidade, sem qualquer caráter pessoal ou de ameaça, como nossa mente nos alerta.
Se entendemos estes cinco tipos como caricaturas de comportamento que impedem a produtividade, chegamos ao caminho inverso. Isto é, a produtividade máxima é atingida através do movimento mental da aceitação e compreensão do problema que nos atinge, da atitude de aceitar de modo provisório e de conviver com ele.
O truque é “ser amigo” do problema, pegá-lo no colo, dar a mesma atenção que dedicamos a uma criança mimada, ter paciência e tolerância, até acharmos a melhor solução, que está no próprio problema e em nossa capacidade de entendê-lo!
Se redimensionarmos nossa importância, reduzindo-a, tiramos a supervalorização emocional que nos atinge. Afinal, não somos culpados de nada, não temos obrigação de resolver o problema, e ele não aconteceu para nos atingir ou prejudicar. Podemos sim fazer o que estiver ao nosso alcance, menos influenciados pelo estímulo emocional, para chegar ao melhor rendimento!